Ter, 24 de Outubro de 2017
br            
Novidades


Curiosidades

SABEDORIA DAS ABELHAS

“Apesar de serem temidas pela maioria das pessoas por sua picada potente, as abelhas fazem muito bem ao homem, até mais do que se imagina. Além do saboroso mel, benéfico à saúde, esses espertos insetos voadores produzem a própolis – um eficiente antibiótico natural (*), que vem revelando, a cada dia, mais propriedades terapêuticas. Uma pesquisa feita pela Fundação Ezequiel Dias (Funed) em Belo Horizonte, descobriu outra aplicação para a substância: a prevenção e tratamento de doenças inflamatórias na boca, como gengivite, mucosite e candidíase crônica. A partir da descoberta, o grupo, coordenado pela bióloga Esther Margarida Bastos, desenvolveu um gel bucal e um enxaguatório antisséptico à base da própolis verde(**) – um dos 13 tipos existentes no Brasil -, que poderão ser disponibilizados, em breve, no Sistema Único de Saúde (SUS). Sendo que este último tem a chance de ser o primeiro enxaguatório produzido no Brasil, já que todos os existentes hoje no mercado são fabricados por empresas multinacionais.

O ineditismo do estudo não para por aí. Em parceria com a Funed, o dentista Ronaldo Rettore Júnior realizou a primeira pesquisa mundial usando a própolis verde na prevenção e tratamento de inflamações em implantes dentários. “Buscamos na literatura internacional alguma experiência similar e não encontramos. Somos os primeiros a usar a própolis com esse objetivo”, garante. Os testes feitos em laboratório apresentaram resultados animadores.

“O enxaguatório à base de própolis se mostrou tão eficaz quanto o convencional no tratamento dos processos inflamatórios”, afirma o dentista. Segundo ele, a clorexidina, princípio ativo usado em 90% dos antissépticos bucais, provoca efeitos colaterais no uso prolongado, como a perda do paladar e o aparecimento de mancha nos dentes. Já a própolis não apresenta nenhum desses inconvenientes. O único desafio segundo o dentista , é chegar a uma fórmula com um aroma e gosto mais atrativos, já que o natural não agrada a muitas pessoas.

Os resultados dos testes serão publicados neste mês, durante a apresentação da tese de doutorado de Ronaldo Rettore junto ao curso de pós-graduação em implantodologia da Universidade São Leopoldo Mandic, em Campinas, São Paulo. A partir daí, serão feitos experimentos em pacientes para confirmar os testes laboratoriais. Em seguida, se os resultados forem positivos, o produto fabricado pela Funed estará apto a ser comercializado e provavelmente será oferecido ao SUS pela fundação. Caso saia tudo de acordo com o esperado, o enxaguatório deve ter seu uso expandido, alem do propósito para qual foi criado, que são os pacientes com implante dentário. “Ele poderá ser usado por qualquer pessoa na prevenção de cáries, gengivites e outras doenças bucais, substituindo os enxaguatórios comercializados atualmente”, afirma o especialista.

A outra pesquisa feita pela Fundação Ezequiel Dias testou a própolis no tratamento da candidíase atrófica crônica, doença comum em pessoas que usam prótese dentária total. “A maioria dos pacientes tem dificuldades em higienizar a dentadura e muitos dormem com ela, o que provoca a proliferação dos micro-organismos e causa a enfermidade”, explica Esther Bastos. O tratamento convencional é feito com medicamentos baseados em miconazol, um princípio ativo forte, que costuma gerar efeitos colaterais adversos, segundo a bióloga. Os 30 pacientes que participaram dos testes usaram durante 10 dias o gel fabricado. “O medicamento se mostrou altamente eficaz”, afirma a pesquisadora. Além de não apresentar efeitos colaterais, o gel à base de própolis também tem preço inferior ao medicamento convencional.

Os dois produtos, fabricados em parceria com as faculdades de odontologia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), já foram encaminhados para o registro de patente. “Laboratórios internacionais também demonstraram interesse em produzir os medicamentos por meio da assinatura de um convênio de transferência de tecnologia”, revela a bióloga da Funed.

(*) - PROPRIEDADES TERAPÊUTICAS – Muitas pesquisas vêm sendo desenvolvidas com a própolis, que se mostrou positiva para curar várias infecções como estomatite, amigdalite e gengivite. Ela age como bactericida, cicatrizante e antisséptico; fortalece a ação imunológico no organismo; estimula o organismo enfraquecido e reduz os efeitos colaterais de anticancerígenos e radioterapia; previne e trata pneumonia crônica e bronquite infantil; trata queimaduras graves e efeitos sobre dermatológicas, manchas na pele, além de agir sobre o sistema capilar; trata doenças da vias respiratórias e urinárias; age como antioxidante no organismo; e atua como estimulante natural das defesas orgânicas, para aqueles com fadiga e baixa imunidade.

(**) - ORIGEM – O alecrim-do-campo, conhecido popularmente por vassourinha, quando atacado por insetos produz uma resina que serve como proteção a esse ataque. As abelhas retiram parte dessa resina, que em contato com uma cera, produzida na saliva da abelha, resulta na própolis verde. A substância é usada também como proteção pelas abelhas, que vedam as colméias contra a entrada de luz e umidade com a própolis. Ela também é usada por elas quando algum inseto morre dentro da colméia e elas não conseguem retirá-lo. Assim elas cobrem os ´defuntos´ com a própolis, evitando a putrefação dos mesmos e o mau cheiro que poderia infestar a casa das abelhas. Essa utilização da substância, porém, é antiga. Registros históricos dão conta de que os egípcios já usavam a própolis para embalsamar suas múmias.

Nayara Menezes; pag. 18 - Jornal o Estado de Minas. 2010, 3 de novembro.

  

 

 
«InícioAnterior12345678910PróximoFim»

Página 10 de 10
newsletter
pesquisar
produtos
chamadas_mais